Autor Tópico: COMO FUNCIONA O SISTEMA DE TRAVÕES, ABS E TIPO DE OLEO  (Lida 6671 vezes)

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Offline laguna1994

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COMO FUNCIONA O SISTEMA DE TRAVÕES, ABS E TIPO DE OLEO
« em: 30 de Outubro de 2009, 18:42 pm »
COMO FUNCIONA O SISTEMA DE TRAVÕES




Em 1770, Nicolas Joshep Cugnot, inventor francês, estava tão obcecado pela idéia de colocar o primeiro veículo a vapor do mundo para andar que acabou esquecendo de um pequeno detalhe – como fazê-lo parar !!! O colosso de metal e madeira que pesava quatro toneladas e se deslocava a 3,6 Km/h sobre três rodas se chocou contra um muro em sua estréia.

Desde então, credita-se a Cugnot, não somente a criação do que viria a ser o tataravô dos carros modernos, mas também a criação do primeiro acidente automobilístico de que se tem notícia !! E, foi graças a esse fato histórico que a indústria dos travões ganhou impulso...

O princípio que rege um sistema de travões está ligado à capacidade de converter energia cinética em energia térmica. Isso quer dizer que quando nos deslocamos com um veículo acumulamos energia cinética, que é a energia do movimento, e que para pará-lo é preciso converter essa energia em outra forma de energia. No caso, energia térmica em forma de calor.

Portanto, quanto mais calor gerado pelo sistema de travões mais eficiente será a travagem. Só que não é tão simples assim...surge aí a limitação dos materiais utilizados no sistema. É que grande maioria dos matériais metálicos apresentam perda de eficiência causada pelo excesso de temperatura, fenômeno conhecido como Fading.

O material mais utilizado é o ferro fundido, que apesar de muito pesado, possui custo reduzido de produção, boa resistência mecânica e é um excelente condutor de calor. Esse material é utilizado na confecção dos discos e tambores de travões. Já em veículos de competição e em alguns carros desportivos estão sendo utilizados discos de travão de compostos cerâmicos por serem mais leves e mais resistentes à fadiga.

Veremos alguns dos princípios físicos por trás de uma travagem.

Isso é necessário para termos uma noção do esforço no qual é exposto um sistema de travões. Para tanto, basta considerar que a energia cinética acumulada pelo veículo durante seu deslocamento aumenta com o quadrado da velocidade. Isso quer dizer que se a velocidade de um carro dobra, ele possui quatro vezes mais energia cinética !!!! Os travões terão, portanto que dissipar quatro vezes mais energia para conseguir parar o veículo!!!

Agora, vamos transformar isso em números... Imagine um carro desportivo, pesando aproximadamente 1.400 Kg, que acelera de zero a cem quilômetros por hora em apenas seis segundos. Parece muita coisa, não? Considere agora a situação inversa, ou seja, uma travagem à mesma velocidade até a imobilidade. Nesse caso serão necessários ínfimos dois segundos e meio e um potência térmica dissipada correspondente a mil cavalos !!!! É no mínimo impressionante!!

Mas tudo bem, você pode afirmar que estamos falando de um carro desportivo, por isso os números tão exagerados. Mas fique sabendo que mesmo seu carro popular é capaz de gerar potência térmica suficiente para Impressionar até o seu vizinho! É isso mesmo. A partir de agora você já pode se orgulhar, afinal de contas seu carro gera a potência de um motor de Ferrari. Pelo menos no travões !! :lol:  :lol:  :lol:

Em 1902, quando os automóveis apresentavam sistemas mecânicos simples e rudimentares, um engenheiro Inglês, chamado Frederick Lanchester, teve a idéia de utilizar um disco como elemento principal de um sistema de travões.

Apesar do conceito revolucionário para a época, o disco de travão iniciou sua vida apenas quatro décadas depois, na aviação militar. Durante a segunda guerra mundial, os aliados precisavam pousar os aviões cargueiros em pistas curtas na Europa e o sistema de travões a tambor não mostrava eficiência quando submetido a tamanho esforço. Daí a opção pelos discos.

A primeira aplicação em um automóvel ocorreu em 1953 quando um bólido de competição utilizou um sistema de travões a disco na dianteira durante as 24 Horas de Le Mans. Mas foi somente dois anos depois que o sistema entrou em produção.

Desde então, o sistema de travões a disco pouco mudou, e olha que lê já tem mais de de cem anos de existência !! Basicamente, é constituído por um disco metálico, normalmente feito em ferro fundido, que é pressionado por pastilhas de um material de fricção. A opção pelo ferro fundido advém das características de suportar os esforços mecânicos elevados, além de garantir bom coeficiente de atrito e elevada capacidade de dissipação de calor.

E é em relação a essa capacidade de dissipar o calor que está a vantagem sobre o sistema convencional a tambor. É que o sistema a tambor, por ser fechado retém o calor, reduzindo sua eficiência, limitando assim sua aplicação apenas às rodas traseiras. Ao contrário do Sistema a disco que, por estar exposto a passagem do ar, possui refrigeração mais eficiente, reduzindo a possibilidade de fading, e garantindo uma excelente travagem.



Os discos de travão podem ser sólidos, quando feitos em uma peça maciça de ferro fundido, ou ventilados, quando possui canaletas entre as duas superfícies de atrito, cuja função é direcionar o fluxo de ar e assim, melhorar a dissipação de calor. Alguns discos de alto rendimento ( como os da foto acima ) possuem furos na superfície de atrito e ranhuras que expelem água e impurezas.
« Última modificação: 30 de Outubro de 2009, 18:44 pm por laguna1994 »
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Offline laguna1994

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Re: COMO FUNCIONA O SISTEMA DE TRAVÕES
« Responder #1 em: 30 de Outubro de 2009, 18:43 pm »
O QUE SIGNIFICA A SIGLA DOT PRESENTE NOS FRASCOS DE OLEO DE TRAVÕES?

O sistema de travões de um automóvel utiliza um oleo cuja função é transmitir o movimento do pedal às pinças de travão, além de ampliar a força aplicada pelo motorista. Esse fluido é incorretamente chamado de óleo, já que sua composição química, à base de Etilenoglicol, torna-o mais próximo de um álcool.

Parte do calor gerado pelo sistema de travões é transferido ao oleo, elevando sua temperatura. Por isso, é muito Importante evitar que o oleo atinja uma temperatura limite acima do qual ocorre a mudança de estado físico, formando bolhas. Em condições de travagens bruscas, as bolhas implodem, resultando na perda da capacidade de travagem.

Esse tipo de oleo é regulamentado pela Norma internacional do Departamento de Transportes
Americano, ou Department of Trasnportation, daí o termo DOT. Essa sigla é acompanhada por uma numeração, que nos veículos atuais, varia de 3 a 5, classificando o oleo em função da temperatura de ebulição. Dessa forma, um oleo de travões classificado como DOT 3 apresenta uma temperatura de ebulição de 205° C, enquanto que o DOT 4 suporta até 230° C. O fluido DOT5 recorre ao uso de silicone de modo a suportar temperaturas superiores a 250°C.

É importante respeitar a classificação do oleo de acordo com o especificado no Manual do proprietário. É possível utilizar um fluido com classificação DOT superior, mas nunca inferior. Ou seja, pode-se utilizar um oleo DOT 4 em um veículo que utiliza DOT 3. Porém, utilizar um DOT 3 onde é exigido o de classificação DOT 4 torna-se perigoso por comprometer a segurança.

DICAS 
O oleo dos travões absorve humidade. Por isso, mantenha o reservatório sempre bem fechado.
Substitua o oleo de travões ao menos 01 vez por ano.
Respeite classificação DOT do oleo dos travões para o seu carro.

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Offline laguna1994

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Re: COMO FUNCIONA O SISTEMA DE TRAVÕES
« Responder #2 em: 30 de Outubro de 2009, 18:43 pm »
Sobre o Sistema ABS


Há alguns anos nosso mercado vem sendo inundado por siglas cujo significado identifica uma nova função ou dispositivo. São elas: ESP, ASR, EBD, só para citar alguns exemplos.

O pioneiro é, sem dúvida, o A.B.S. Do inglês ( Anti-lock Braking System ), ou Sistema Anti Travamento das Rodas, esse dispositivo de segurança ativa a algum tempo deixou de ser um item disponível apenas em veículos de luxo. Actualmente, este importante equipamento de segurança está presente nos veículos mais acessíveis do mercado.

O Sistema ABS é composto por sensores que lêem a velocidade das rodas identificando condições de patinação, instante no qual a roda perde velocidade rapidamente. Um conjunto de eletroválvulas acionadas por uma central eletrônica libera a roda “travada”, bloqueando-a em seguida. Este ciclo repete-se de 10 15 vezes por segundo, igualando a velocidade com as demais rodas, independente das condições do piso, atuando mesmo sobre lama, neve ou areia.

Alguns Veículos de carga e camiões utilizam o ABS apenas nas rodas traseiras. Em condições de caçamba vazia a tendência de travamento é maior nas rodas traseiras. Nestas condições torna-se necessário controlar a pressão nas rodas traseiras pois durante uma travagem o peso é transferido em maior parte para o eixo dianteiro representando cerca de 70% do esforço de travagem. As rodas traseiras, quando sem carga, apresentam maior tendência de travamento, pois a pressão hidráulica exercida sobre elas é a mesma das rodas dianteiras. O Corretor de travagem actua de maneira a diferenciar a pressão nas rodas traseiras em função da carga exercida sobre a suspensão.

Para retirar todo o potencial do veículo com ABS alguns cuidados devem ser tomados. No caso do acendimento da luz-espia no painel de instrumentos, o sistema de gerenciamento electrônico do ABS é excluído evitando falhas que poderiam ocasionar travamento das rodas. Nestas condições passa a actuar o sistema de travões convencional.

Quanto ao oleo de travões utilizado o de especificação DOT 5 é o mais recomendado por sua elevada capacidade de resistir ás altas temperaturas. No momento da troca do oleo a sangria do sistema deve ser realizada partindo da roda mais próxima ao módulo hidráulico para a roda mais distante, formando um “C”. Este procedimento evita que ocorra o acúmulo de bolhas de ar no interior do conjunto hidráulico o que comprometeria a eficiência do Sistema.

Durante uma travagem brusca torna-se perceptível uma trepidação no pedal de travão. Isto ocorre devido à formação de pulsos hidráulicos gerados durante os ciclos de bloqueio e desbloqueio das rodas, não devendo ser considerado um problema. Nestas condições muitos motoristas desavisados retiram o pé do pedal de travão. Esta atitude deve ser evitada, pois a pressão do exercida sobre as rodas é determinada pela força exercida sobre o pedal de travão.

Apesar de toda a sofisticação o Sistema ABS não opera milagres. Um alerta aos “Pilotos de Fim de Semana” é que as condições gerais do veículo e do sistema de travões, assim como o estados dos pneus e rodas tornam-se determinantes em situações de emergência. Por isso a manutenção preventiva continua sendo a melhor atitude quando o assunto é segurança.
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Offline laguna1994

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Re: COMO FUNCIONA O SISTEMA DE TRAVÕES, ABS E TIPO DE OLEO
« Responder #3 em: 30 de Outubro de 2009, 18:50 pm »
O QUE É FADING?

Imagine-se dirigindo seu carro numa descida de uma serra, repleta de curvas. O carro está carregado, com malas e cinco passageiros a bordo. Quanto mais você pressiona o pedal de travão para conter o carro, mais o pé afunda...Isso é indício de que está ocorrendo Fading.

Fading, lêe-se feiding, é um termo em inglês que significa Fadiga. E é utilizado na indústria automobilística para identificar o fenômeno de perda da eficiência de travagem devido ao excesso de calor.

Esse calor é gerado pelo próprio sistema de travões, através do contato entre os discos e as pastilhas. É que para parar um veículo é preciso transformar a energia cinética acumulada durante o movimento em energia térmica, ou seja, calor. Traduzindo, quanto mais calor gerado pelo sistema de travões mais eficiente será a travagem.

Mas isso tem um limite. E quando esse limite é atingido ocorre o Fading. É que tão importante quanto gerar calor é poder dissipá-lo, pois a concentração de calor reduz abruptamente o coeficiente de atrito, reduzindo a capacidade de travagem do veículo.

Esse super aquecimento do sistema de travões pode ser ocasionado por sobrepeso, velocidade excessiva ou ausência do travão motor em descidas (engrenado). Por isso, reduza a velocidade em uma descida, sempre utilizando o travão motor de modo a optimizar a travagem. Respeite ainda o limite de carga do seu carro, além de evitar manter velocidades elevadas. E, é claro, não esqueça de manter o sistema de travões com a manutenção em dia.
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Offline laguna1994

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Re: COMO FUNCIONA O SISTEMA DE TRAVÕES, ABS E TIPO DE OLEO
« Responder #4 em: 30 de Outubro de 2009, 18:53 pm »
TREPIDAÇÃO NO PEDAL DE TRAVÃO NO CARRO COM ABS É NORMAL?

Ao realizar uma travagem de emergência o motorista pressiona o pedal de travão de forma brusca. A tendência é que a pressão exercida sobre as pinças de travão provoque o travamento das rodas. Ocorrendo isso, o espaço de travagem é drasticamente ampliado, além da dirigibilidade ficar comprometida nessa situação.

O ABS ( Anti Lock Brake System ) é um Sistema que foi desenvolvido com o objetivo de auxiliar em condições de travagem bruscas impedindo o travamento das rodas, aumentando assim, consideravelmente a segurança.

O sistema é composto por sensores instalados nas rodas que medem a desaceleração de cada roda individualmente comparando o resultado com as demais. Caso uma delas desacelere mais rápido que as outras, é indício de travamento. Nesse caso, a unidade eletrohidráulica do ABS activa uma válvula, liberando a pressão sobre a pinça de travão, fazendo com que a roda acelere novamente. Em seguida, a pressão é novamente exercida sobre a pinça. Esse processo é repetido dezenas de vezes por segundo.

O vai-e-vem do oleo de travões pelas tubulações gera uma pequena vibração no pedal, o que pode ser caracterizado como normal. A trepidação do pedal é um indício que o ABS está funcionando, e que portanto não deve ser tratado como defeito.



Mas, alguns motoristas, talvez por não conhecerem o sistema, retiram o pé do pedal de travão, o que é incorreto, pois ao aliviar a pressão sobre o pedal durante uma travagem estamos comprometendo a eficiência dos travões.
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Offline Artur

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Re: COMO FUNCIONA O SISTEMA DE TRAVÕES, ABS E TIPO DE OLEO
« Responder #5 em: 30 de Outubro de 2009, 20:30 pm »
excelente informação

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Re: COMO FUNCIONA O SISTEMA DE TRAVÕES, ABS E TIPO DE OLEO
« Responder #5 em: 30 de Outubro de 2009, 20:30 pm »