Autor T√≥pico: Cabo Espichel  (Lida 8022 vezes)

Offline bossinis

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Cabo Espichel
« em: 26 de Junho de 2011, 23:27 pm »
Bom, hoje de manha decidi ir até ao cabo Espichel dar uma voltinha para conhecer o sitio onde tantos motards vão e perceber o porque de irem lá religiosamente aos domingos.

N√£o consegui perceber bem o porqu√™ mas provavelmente pelo espa√ßo enorme para parque-ar os ve√≠culos de duas rodas aliados a um vista espectacular √© claro as barracas da "min" e da "febra" para o conv√≠vio da malta  :cool:

Aqui deixo uma fotos do local

































 
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Re: Cabo Espichel
« Responder #1 em: 26 de Junho de 2011, 23:39 pm »
tambem ja foi para essea lados e é realmente muito porreiro recomendo :cool:

Offline Artur

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Re: Cabo Espichel
« Responder #2 em: 27 de Junho de 2011, 02:16 am »
é o ponto de encontro ao domingo de manhã da malta da margem sul ( motard ) tal como o cabo da roca é ponto de encontro ao domingo de manhã em maior escala ;)

Offline Lipe

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Re: Cabo Espichel
« Responder #3 em: 27 de Junho de 2011, 02:18 am »
Gosto muito do cabo espichel.

√Č um daqueles s√≠tios que vou desde pequeno

Para quem gosta destas coisas, o cabo espichel tem uma "parede"/lage cheia de pegadas de dinossauros  :smiley:


Offline Caçoilauto

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Re: Cabo Espichel
« Responder #4 em: 27 de Junho de 2011, 09:38 am »
Mais um sitio maravilhoso do nosso Portugal  :grin:

Offline Black Phoenix

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Re: Cabo Espichel
« Responder #5 em: 27 de Junho de 2011, 11:09 am »
Ta muito menos cuidado do que h√° uns 8/9 anos atr√°s quando ai fui a ultima vez. Foi deixado ao desleixo.

E para quem gosta de ver dinheiro torrado, e s√≥ quando sai ou vai para o Cabo Espichel olhar para os terrenos a volta da estrada que liga a Sesimbra. V√™-se vivendas/casas/pequenos pr√©dios a perder de vista devolutos/n√£o terminados devido a ilegalidades nas constru√ß√Ķes.
« √öltima modifica√ß√£o: 27 de Junho de 2011, 11:10 am por Black Phoenix »

Offline Caçoilauto

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Re: Cabo Espichel
« Responder #6 em: 27 de Junho de 2011, 11:26 am »
Mas somos nós !!!!! :laugh: :laugh: :laugh: :laugh:

Offline bossinis

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Re: Cabo Espichel
« Responder #7 em: 27 de Junho de 2011, 13:53 pm »
Ta muito menos cuidado do que h√° uns 8/9 anos atr√°s quando ai fui a ultima vez. Foi deixado ao desleixo.

E para quem gosta de ver dinheiro torrado, e s√≥ quando sai ou vai para o Cabo Espichel olhar para os terrenos a volta da estrada que liga a Sesimbra. V√™-se vivendas/casas/pequenos pr√©dios a perder de vista devolutos/n√£o terminados devido a ilegalidades nas constru√ß√Ķes.

Por acaso reparei nisso, é o País que temos de alcabalas e cunhas...
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Offline zecmax

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Re: Cabo Espichel
« Responder #8 em: 04 de Julho de 2011, 18:00 pm »
Tive lá à 2 semanas.
Muito bonito.

Offline Lipe

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Re: Cabo Espichel
« Responder #9 em: 04 de Julho de 2011, 19:34 pm »
Tive lá à 2 semanas.
Muito bonito.

fotos??!!  :laugh:

Offline Timoteo

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Re: Cabo Espichel
« Responder #10 em: 05 de Julho de 2011, 13:41 pm »
Tive lá à 2 semanas.
Muito bonito.

 :worth:

LopppPPPppp

Offline zecmax

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Re: Cabo Espichel
« Responder #11 em: 06 de Julho de 2011, 17:22 pm »
Tive lá à 2 semanas.
Muito bonito.

fotos??!!  :laugh:

n√£o tirei.........

Offline Timoteo

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Re: Cabo Espichel
« Responder #12 em: 07 de Julho de 2011, 12:01 pm »
Tive lá à 2 semanas.
Muito bonito.

fotos??!!  :laugh:

n√£o tirei.........

Tas a falar a s√©rio?? ir aquele lugar paradisiaco e n√£o tirar fotos... √© pena  :tongue:

Offline Black Phoenix

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Re: Cabo Espichel
« Responder #13 em: 13 de Julho de 2011, 01:22 am »
A quem interessar e tendo em conta a fotografia dos acidentes (J√° agora, houve um suicidio de uma jovem no dia 28 de Junho deste ano so para saberem).

Citar
Na foto onde se v√™ duas viaturas destru√≠das, posso afirmar que o ocupante da segunda viatura n√£o morreu, aquando do embate na primeira viatura o choque foi amortecido tendo o ocupante ficado apenas com algumas escoria√ß√Ķes, isto foi-me dito por um amigo dos B.V.S. que na altura l√° foi prestar o socorro.
  Quanto aos suic√≠dios no local, neste momento s√£o mais raros, principalmente se for com o carro, uma vez que os acessos para viaturas foi vedado mesmo para evitar situa√ß√Ķes destas.
  Quanto ao local √© sim um local de culto desde meados do Seculo XV, √† Nossa Senhora do Cabo Espichel, pensando-se at√© que j√° existiria peregrina√ß√Ķes ao local anteriores a essa data, quanto as casas que se encontram fechadas, n√£o serviam para os padres dormirem, mas sim para repouso e descanso dos peregrinos.
  Deixo abaixo um pouco mais sobre a historia deste local:

   Cabo Espichel
O Cabo Espichel é um dos lugares mais impressionantes da Costa Azul graças a paisagem que o rodeia. Nas suas origens serviu de lugar defensivo do território. No século XVIII se ergueu nos seus arredores um santuário dedicado a Nossa Senhora do Cabo, que conta a lenda apareceu à um casal de idosos neste lugar no ano de 1410. Foi o primeiro lugar onde se instalou um farol para iluminar a costa conhecida pelos ingleses como 'Costas Negras' no ano de 1790.


O Farol - Cabo Espichel
O Farol do Cabo Espichel foi constru√≠do no ano de 1790, sendo o primeiro farol mar√≠timo instalado nas costas de Portugal conhecidas pelos ingleses como 'Costas Negras'. Est√° formado por uma torre hexagonal de 32 metros de altura a qual tem em anexo um edif√≠cio. Sua ilumina√ß√£o sofreu modifica√ß√Ķes ao longo da sua hist√≥ria, no ano de 1886 a luz passou a ser alimentada por vapor de petr√≥leo e no ano de 1926 j√° funcionava com electricidade. Hoje em dia tem um alcance de 26 milhas.


Santu√°rio de Nossa Senhora do Cabo Espichel
 O Santu√°rio de Nossa Senhora do Cabo Espichel √© um dos mais importantes do concelho de Sesimbra. Como seu pr√≥prio nome indica est√° situado nas imedia√ß√Ķes do Cabo Espichel. Foi constru√≠do no s√©culo XVIII e √© estilo maneirista e barroco. √Č de planta longitudinal composta por uma nave e capela-mor. Em cada lado da sua fachada encontra-se as torres sineiras. Unido ao Santu√°rio se encontram um conjunto de depend√™ncias que serviam de ref√ļgios para os peregrinos. Est√° classificado como Bem de Interesse P√ļblico desde o ano de 1950.

O conjunto arquitect√≥nico do chamado Santu√°rio de Nossa Senhora da Pedra Mua, implantado no extremo do Cabo Espichel, √© sem d√ļvida o mais importante e caracter√≠stico do Concelho. H√° neste precioso agregado de edifica√ß√Ķes, desde a antiga Ermida da Mem√≥ria √† Igreja Seiscentista, desde os corpos r√ļsticos das "hospedeiras" ao aqueduto e √† "Casa da √Āgua", uma unidade de valores gr√°ficos que fez esquecer a disparidade de estilos. O culto de Nossa Senhora do Cabo perde-se na bruma dos tempos e √© cr√≠vel que anteriormente √† sua venera√ß√£o - a partir do S√©c. XV - o Cabo Espichel fosse centro de peregrina√ß√Ķes.
O actual culto remonta a cerca de 1410, ano em que teria sido descoberta na extremidade de Cabo Espichel a venerada imagem de Nossa Senhora do Cabo, por dois velhos da Caparica e de Alcabideche, que em sonhos coincidentes teriam sido avisados pelo Céu. Antes de 1701 - data da construção da actual igreja - o arraial era circundado de casas para os romeiros que não obedeciam a alinhamento especial, e que se dispunham em torno do primitivo templo. A partir de 1715, a grande afluência de círios ao Cabo obrigou a que se construíssem hospedarias com sobrados e lojas.
A arcarias que corre ao lado de dois corpos consegue sem recorrer a arranjos construtivos de perfil erudito. A obra das hospedarias iniciou-se em 1715, mas s√≥ entre 1745 e 1760 foi ampliada para as dimens√Ķes actuais. A igreja actual remonta a 1701 e √© da iniciativa real de D. Pedro II. Penetrando no templo atrav√©s de um bom guarda-ventos de madeira do Brasil, vislumbramos a ampla e bem proporcionada nave, coberta por um tecto em madeira com uma composi√ß√£o a √≥leo que representa a Assun√ß√£o da Virgem, esta √© uma obra do pintor Louren√ßo da Cunha. Sobranceira √† escarpas que afloram no extremo do Cabo Espichel, a poente da igreja e das hospedeiras, situa-se a Ermida da Mem√≥ria, templinho implantado precisamente no local onde a tradi√ß√£o diz ter-se dado a apari√ß√£o da Virgem.

Pedra da MUA

Vista Geral da Arriba do Cabo Espicel -  Situada nas arribas do Cabo Espichel,  sob a Ermida de N¬™ S¬™ da Mem√≥ria (at√© 1428, a ermida era conhecida por Santa Maria da Pedra da Mua), junto ao majestoso conjunto arquitect√≥nico do Santu√°rio da S¬™ do Cabo, Ampliar a Foto encontra-se a, talvez mais antiga jazida de pistasConjuntos de marcas cont√≠nuas (pegadas) produzidas pela passagem do mesmo animal, contendo a reimpress√£o do mesmo "aut√≥pode", p√© ou m√£o.de dinossauros conhecida  ( muito embora os autores da descoberta a atribu√≠ssem a um animal quase mitol√≥gico a MUA, sendo em 1981 reconhecida como jazida de pegadas de dinoss√°urio ).  Assente em vastas lajes calc√°rias com inclina√ß√Ķes de Pormenor das Pegadas local A->30 a 40¬ļ para norteProveniente de fen√≥menos geol√≥gicos ( Tect√≥nicos ), gerados por energia t√©rmica do interior da Terra, que dobram, fraturam, enrugam e at√© chegam a inverter a posi√ß√£o original das camadas sedimentares., pertencentes ao Jur√°ssico superiorMapa dos Tempos Geol√≥gicos do Concelho de Sesimbraantigos fundos planos de zonas litorais lagunares. Resultantes da deriva do Continente Africano para norte e a sua colis√£o com o sul da Europa, que provocaram o enrugamento dos Alpes e outras Ampliar a Fotomontanhas. Nesta  jazida podem observar-se v√°rias pistas de  Saur√≥podes (herb√≠voros) e Ter√≥podes (carn√≠voros) de pequenas e grandes dimens√Ķes, que viveram e por c√° evolu√≠ram em manadas √† cerca de 150 a 140 milh√Ķes de anos. Dinoss√°urio Herb√≠voro, quadr√ļpede, volumoso de longo pesco√ßo, pequena cabe√ßa e cauda comprida.
 

Um destes belos trilhos está directamente ligado à lenda de Nª Sª da Pedra da MUAPormenor das Pegadas local B->, (1410), que fala das pegadas de uma mula gigante que transportou Nª Senhora do nível do mar até ao cimo do Cabo e que fez do sítio um local sagrado (ANTUNES, 1976; SERRÃO, 1981; GALOPIN DE CARVALHO & Ampliar a FotoSANTOS, 1992). Documentado num dos painéis de azulejo da ErmidaAmpliar a Foto da Memória.


Da an√°lise das pistas patente na figura, recolhe-se v√°rias informa√ß√Ķes importantes, por exemplo que as mesmas foram produzidas por dinoss√°urios de diferentes corpul√™ncias. Note-se que o comprimento da perna, ser√° cerca de quatro vezes o comprimento da pegada do p√©, e por conhecimento dos esqueletos fossilizados descobertos, em todo o mundo, √© poss√≠vel obter as dimens√Ķes totais do animal que produziu a pegada. Pegadas de 38 a 40 cm, respeitantes a pequenos Saur√≥podes com membros entre 1,5 e 1,8 m. Pegadas de 70 a 73 cm, correspondendo a grandes Dinoss√°urios com membros de 2,8 m.

"Assim, a laje 3 da Pedra da Mua p√Ķe em evid√™ncia um exemplo de comportamento greg√°rio em dois grupos de saur√≥podes de dimens√Ķes distintas, que viajavam para sudeste. Trata-se do primeiro exemplo convincente de comportamento greg√°rio nos saur√≥podes, reconhecido numa jazida europeia, bem como o melhor testemunho conhecido entre animais t√£o pequenos.
A camada a que demos o n√ļmero 5 e que parece ser a que √© conhecida pelo menos desde o s√©culo XIII, conserva a evid√™ncia da passagem de cinco saur√≥podes. S√£o constitu√≠das por impress√Ķes n√≠tidas, profundas, com as margens verticais, algumas das quais com rebordos volumosos resultantes do afastamento do sedimento do centro da marca para a sua periferia, devido √† press√£o exercida pelos p√©s no solo."



Santu√°rio de N. Sra. do Cabo Espichel

Há mais de 500 anos foi construída uma ermida para as gentes do mar guardarem uma imagem da Virgem, venerada há muito em cima do rochedo denominado Pedra de Mua, no Cabo Espichel, Sesimbra. À sua volta foram crescendo modestas casas para receber os peregrinos que aqui demandavam.

À Sra. do Cabo, designação dada a Sta. Maria da Pedra de Mua, afluem vários e numerosos grupos de círios (grandes grupos de peregrinos). Foi ao designado Círio Saloio (peregrinos das redondezas da capital) que coube o incremento da construção do santuário, conforme se pode ler numa lápide: "Casas de N. Sra. de Cabo feitas por conta do Sírio dos Saloios no ano de 1757 p. acomodação dos mordomos que vierem dar bodo".

A constru√ß√£o da igreja prolongou-se no tempo e recebeu ofertas de obras not√°veis. Este conjunto arquitet√≥nico, de tra√ßos simples, foi cuidadosamente tratado. Um extenso largo √© enquadrado a poente pela igreja, ladeada de duas passagens abobadadas e encimadas por um andar ritmado por janelas de sacada. A fachada nobre do templo, marcada pela sua rigidez, √© limitada por duas torres sineiras. Axialmente, abre-se um portal moldurado por pilastras, rematadas por pin√°culos e encimado por front√£o curvo. O portal √© ladeado por duas portas, tamb√©m elas rematadas por front√Ķes curvos. O portal √© encimado por tr√™s janelas de v√£o retangular. No front√£o triangular da empena, ornado por composi√ß√Ķes de volutas, abriga-se num nicho a imagem da Virgem.

O interior do templo, de nave √ļnica, √© ricamente decorado. A nave apresenta as paredes em pedras brancas e negras polidas, provenientes da Arr√°bida. Aqui destaca-se a tribuna real, erguida no reinado de D. Jos√© I; do lado contr√°rio, est√£o tr√™s pinturas barrocas representando o Nascimento de Jesus, a Apresenta√ß√£o do Menino no Templo e a Adora√ß√£o dos Magos. Superiormente, mostram-se mais seis tribunas, intercaladas com telas setecentistas que versam epis√≥dios de Nossa Senhora. De not√°vel interesse s√£o igualmente os ret√°bulos barrocos das capelas laterais, que ostentam boas imagens setecentistas, como a do Senhor Jesus do Bonfim e a de S. Pedro. Cobre a nave magn√≠fica ab√≥bada pintada com frescos por Louren√ßo da Cunha (1740), mostrando pinturas arquitet√≥nicas em ilus√≥rias perspetivas.

Na capela-mor guarda-se a velha imagem de Nª. Srª. do Cabo, protegida por maquineta em prata dourada posta no trono do retábulo.
Este templo possui ainda dois quadros atribuídos ao conceituado pintor de Quinhentos conhecido por Mestre da Lourinhã - uma tábua representando Sto. António e outra Santiago Menor.

 Deixo aqui a lenda do Cabo Espichel que deu origem √† venera√ß√£o da Senhora do Cabo Espichel:


Lenda da Nossa Senhora do Cabo Espichel


    Ano de 1215. Em Portugal reinava el-rei D. Afonso II. O Inverno tinha entrado duro. O vento zunia, impertinente e bravo. A chuva era grossa e ca√≠a sem pressa de chegar ao fim. O mar bramia, revoltado pelos assobios e a√ßoites do vento. Enfurecido, arremessava-se de encontro √†s rochas que bordam a costa portuguesa. Joguete das ondas, surgiu mesmo em frente do cabo Espichel uma nau que pertencia a um mercador ingl√™s, senhor de grande fortuna e g√©nio aventureiro.
    Com o cair da noite, a tempestade aumentava. A bordo viviam-se momentos tr√°gicos. Apesar da coragem da tripula√ß√£o, o navio parecia desfazer-se de momento a momento, batido como um simples brinquedo pela ventania brutal e pelo bailar diab√≥lico das ondas revoltas. Ent√£o, no desespero causado pela trag√©dia, os homens recorreram ao padre Hildebrando, frade eremita dos agostinhos, que os acompanhava. O padre ‚ÄĒ dizia-se ‚ÄĒ trazia consigo uma pequena imagem milagrosa. Um dos marinheiros mais afoitos gritou:
    ‚ÄĒ Padre, salvai-nos! S√≥ v√≥s podeis ajudar-nos!
    Os outros fizeram coro:
    ‚ÄĒ Salvai-nos, padre!
    O padre, que parecia meditar, quase indiferente ao espect√°culo que o rodeava, ergueu o olhar para os que pediam a sua ajuda. Falou-lhes:
    ‚ÄĒ Tende calma, meus filhos! Tende coragem! Deus h√°-de valer-nos! Deus e Nossa Senhora, cuja imagem sempre me acompanha. Vou busc√°-la para que a possais contemplar. E tende f√©, muita f√©! Ela h√°-de fazer mais este milagre!
    O marinheiro que primeiro havia falado gritou, cortando o barulho da tempestade:
    ‚ÄĒ Deus o oi√ßa!
    Os outros imploraram:
    ‚ÄĒ Que Nossa Senhora nos salve!
    O padre, conforme p√īde, pois os balan√ßos da nau eram fortes, foi buscar a imagem. Mas, quando regressava, uma onda mais alta cobriu os homens. Houve gritos, alarido, entre o escorrer da √°gua do mar. Quando a onda passou, os homens estavam todos. Bem se olhavam, tentando localizar-se. Mas o padre juntava as m√£os vazias num gesto desesperado.
    Gritou:
    ‚ÄĒ Meus filhos! A santa imagem desapareceu!
    Logo os homens se lamentaram em altos brados:
    ‚ÄĒ Estamos perdidos! Perdidos!
    O padre pareceu recobrar a calma.
    ‚ÄĒ N√£o devemos perder a f√©! Oi√ßam-me! Vamos ajoelhar conforme pudermos. Aproximai-vos de mim! E faremos em conjunto uma ora√ß√£o, como se f√īssemos um s√≥. Dizei comigo: ¬ęAve, Maria‚Ķ cheia de Gra√ßa...¬Ľ.
    A ora√ß√£o sobrep√īs-se √† tempestade. E quando chegou ao fim, os homens n√£o podiam crer no que os seus olhos viam. Por estranho milagre tudo se transformara. As ondas tinham acalmado. O vento deixara de soprar. A chuva n√£o ca√≠a mais. E uma luz intensa iluminava o Oceano. Luz t√£o bela e t√£o forte como a que, segundo contam os antigos, surgira naquela noite singular em que a Virgem M√£e dera √† luz o Menino Deus!

    A manh√£ raiava. O dia nascera claro. Alegres como crian√ßas, os homens pisaram terra firme. Com eles ia o bom padre Hildebrando. E foi ele quem fez a maravilhosa descoberta. Cheio de alegria, gritou:
    ‚ÄĒ Olhai, meus filhos, olhai!... Reparai para esta caverna do cabo! Depressa! Quero que verifiqueis com os vossos pr√≥prios olhos! √Č ela, n√£o √© verdade? √Č a imagem de Nossa Senhora que eu trazia!
    Os homens haviam acorrido e olhavam surpreendidos t√£o precioso achado. L√° estava, de facto, numa das pequenas cavernas do cabo Espichel, como se tivesse sido posta ali por m√£os divinas, a pequena imagem de Nossa Senhora, envolta numa aut√™ntica aur√©ola de luz. Padre Hildebrando exclamou com un√ß√£o:
    ‚ÄĒ Foi um milagre que agrade√ßo ao C√©u!
    E voltando-se para os mar√≠timos:
    ‚ÄĒ Meus filhos! Agora j√° vos posso dizer toda a verdade! A imagem que observais foi talhada e feita pelos pr√≥prios anjos! √Č √ļnica no mundo! Ajoelhai, meus filhos!
    Os homens ajoelharam, em muda contempla√ß√£o. S√≥ os seus pensamentos se elevaram numa prece nem sempre bem definida.
    E conta a lenda velhinha que, a expensas de toda a tripula√ß√£o e com o consentimento superior, ali mesmo se construiu uma capelinha para guardar t√£o preciosa imagem. Como capel√£o, ficou o padre Hildebrando. E assim come√ßou a hist√≥ria de Nossa Senhora do Cabo Espichel.
    Os anos passaram. Dois s√©culos, talvez. E foi por volta do ano 1410 que um velho de Alcabideche teve, certa noite, uma vis√£o de espantar. Estava ele no quintal√≥rio da sua casinha quando viu subitamente, l√° ao longe, uma estrela muito luminosa, muito brilhante. Tentou o velho localiz√°-la e calculou que essa estrela devia estar sobre o cabo Espichel.
    A p√©, a dist√Ęncia de Alcabideche ao cabo era grande e dif√≠cil. Foi o velho deitar-se, sempre a pensar na estrela. De madrugada sonhou que a pr√≥pria estrela lhe falara, dizendo:
    ‚ÄĒ Admiras-te do meu brilho, que encandeia os teus olhos? Pois n√£o te admires! Marco uma presen√ßa grandiosa: a de Nossa Senhora! Sim... Nossa Senhora est√° numa lapa do cabo Espichel. Vai l√° v√™-La e constr√≥i uma nova capelinha, j√° que a outra foi destru√≠da. Vai, n√£o demores! Nossa Senhora do Cabo espera por ti!
    Quando, no sonho, a estrela desapareceu, o velho acordou. Mas passou o resto da noite num sobressalto. N√£o conseguia conciliar o sono. Assim, mal a alva rompeu, o velho de Alcabideche p√īs-se a caminho. Andou, andou, quase sem descansar. Atravessou o Tejo num batel. A noite chegou. Apressou o passo at√© √† povoa√ß√£o mais pr√≥xima, e encontrou-se na Caparica, onde, exausto, resolveu pedir pousada. Discretamente, bateu a uma porta. De dentro, uma voz feminina perguntou:
    ‚ÄĒ Quem bate a estas horas?
    O velho esclareceu:
    ‚ÄĒ Perdi-me no caminho‚Ķ e j√° √© noite...
    A mulher abriu a porta da casa e ficou-se a olhar o homem. Depois explicou:
    ‚ÄĒ Vivo s√≥... mas pode entrar. Tamb√©m j√° sou velha...
    O de Alcabideche entrou, agradecendo:
    ‚ÄĒ Que Deus a recompense! Sinto-me, na verdade, t√£o cansado!
    Ela indagou:
    ‚ÄĒ Vem de muito longe?
    Sentando-se e suspirando de al√≠vio, ele concordou:
    ‚ÄĒ Sim, venho de muito longe. E ainda terei muito que andar!
    Curiosa, ela fez mais uma pergunta:
    ‚ÄĒ Est√° a cumprir alguma promessa?
    Ele meneou a cabe√ßa:
    ‚ÄĒ N√£o. Correspondo apenas a um pedido.
    ‚ÄĒ Um pedido?
    ‚ÄĒ Sim‚Ķ e feito por uma estrela!
    Ela admirou-se mais:
    ‚ÄĒ Por uma estrela?... Por uma estrela do c√©u?
    ‚ÄĒ Isso mesmo.
    ‚ÄĒ Como √© que isso foi?
    ‚ÄĒ Eu lhe conto.
    E, excitado pela recorda√ß√£o do sonho, o velhote de Alcabideche contou a sua estranha hist√≥ria √† velhota da Caparica. N√£o cabendo em si de surpresa, a velhota exclamou:
    ‚ÄĒ Santa M√£e de Deus! O que me diz! Mas isso √© espantoso!
    O velhote sorriu. E apontou, olhando por uma fresta da janela:
    ‚ÄĒ V√™, al√©m, aquela luz? L√° est√° a estrela! √Č ali que est√° a imagem da Virgem!
    Ficou pensativa, a boa velhota. Por fim, disse ao de Alcabideche:
    ‚ÄĒ V√° deitar-se, que precisa descansar. Durma bem, e amanh√£ voltaremos a falar no assunto.
    Mas a velha n√£o se deitou. Ficou olhando pela janela a estrela brilhante. De s√ļbito falou alto, mesmo estando s√≥:
    ‚ÄĒ Como eu gostava de ir ao cabo Espichel! Como eu gostava!
    Ergueu o busto. Os seus olhos ba√ßos brilhavam a um repentino pensamento. Exclamou:
    ‚ÄĒ √Č isso mesmo! Vou √† frente do velho! A luz me guiar√°! Vou mesmo de noite. Dentro de pouco tempo ser√° manh√£. Eu desejo tanto ir orar √† Senhora que est√° no Cabo!
    Disse e fez. Embu√ßou-se num xaile e saiu, deixando o velho de Alcabideche entregue ao seu profundo sono.
    Quando o velho despertou e se viu sozinho, logo compreendeu o que se havia passado. A manh√£ j√° ia alta. Afligiu-se por isso, mas disse para si mesmo:
    ‚ÄĒ As mulheres s√£o sempre as mesmas! Para que lhe comuniquei eu o meu segredo? Agora vai chegar em primeiro lugar. Tenho de caminhar t√£o depressa quanto possa!
    E o de Alcabideche partiu em direc√ß√£o ao Cabo. Estugava o passo. O desejo de encurtar o tempo que o separava da Senhora dava-lhe novas for√ßas. E, assim, apesar da idade e do cansa√ßo que o ia dominando, conseguiu chegar ao cabo Espichel. Por√©m, o seu primeiro sentimento foi de des√Ęnimo, quase de revolta. Ajoelhada aos p√©s da Virgem, diante da lapa, estava a velha da Caparica. Ele zangou-se:
    ‚ÄĒ Trai√ßoeira! Se queria vir, ao menos viesse comigo! Fui eu que lhe contei tudo. E foi a mim que a estrela disse para vir aqui!
    A velha mostrou-se pouco √† vontade.
    ‚ÄĒ Trai√ßoeira, n√£o! A Virgem pertence a todos! E se vossemec√™ dormia, porque havia eu de esperar?
    Sobrepondo-se √† voz da velha, uma voz bonita soou:
    ‚ÄĒ N√£o se zanguem! Porque n√£o h√£o-de ser os dois a promover a constru√ß√£o de uma nova capelinha neste lugar?
    Os velhos entreolharam-se, primeiro amedrontados. Depois ca√≠ram de joelhos, e ali mesmo prometeram pedir a quem pudesse, para se construir a capelinha dedicada √† Nossa Senhora do Cabo Espichel. E um raio de sol, como l√≠ngua de fogo, beijou a cabe√ßa dos dois velhos, absortos na contempla√ß√£o da imagem da Virgem!

    A nova capela foi constru√≠da. E ainda hoje l√° est√° uma pedra gravada onde se l√™ uma inscri√ß√£o comemorativa do facto.
    O tempo continuou correndo. E a feliz aventura dos dois velhos correu paralela ao tempo, tornando-se popular√≠ssima. E como o povo portugu√™s, na sua alma de poeta, perpetua em verso os factos que sente mais seus, logo surgiu a quadra que ficar√° de gera√ß√£o para gera√ß√£o:
     
    O velho de Alcabideche
    E a velha da Caparica
    Foram √† Rocha do Cabo,
    Acharam prenda t√£o rica!

Citando alguem muito conhecedor deste sitio.

Offline Lipe

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Re: Cabo Espichel
« Responder #14 em: 13 de Julho de 2011, 01:29 am »
Excelente posta oh M√°rcio :)

Por acaso conhecia uma grande parte das historias.  :smiley: